domingo, 12 de agosto de 2012

Entendendo a atual crise na Síria


Para compreendermos os atuais acontecimentos na Síria, é importante que  saibamos um pouco de sua história, por isso disponibilizei um breve resumo acerca de sua turbulenta tragetória:

SÍRIA - País asiático do Oriente Médio, banhado pelo Mar Mediterrâneo, limitado ao norte pela Turquia, a leste e sudeste pelo Iraque, ao sul pela Jordânia e a oeste por Israel e Líbano. A origem de seu nome é incerta. Há fontes que garantem provir de Assíria, povo mesopotâmico da antigüidade, outras afirmam vir de Suri, um distrito da Mesopotâmia.
Depois de 700 anos sob domínio de Roma, as terras do que hoje é a Síria foram ocupadas pelos árabes islâmicos, em 636 d.C. A cidade de Damasco, atual capital síria, foi, de 661 a 750, capital do império árabe, que se estendia da Espanha até a fronteira com a China. Posteriormente, aquelas terras foram disputadas e ocupadas por egípcios, turcos seldjúquidas, por cruzados (de 1098 a 1124), por sarracenos comandados por Saladino e seus herdeiros, mongóis, até ser ocupada por turcos islâmicos, em 1516. A partir daí e até a Primeira Guerra Mundial, ela estará sob domínio otomano. Com o fim do conflito mundial, em 1918, o território sírio passou a ser administrado pela França.
O nacionalismo ganhou expressão durante a Primeira Guerra Mundial, na Grande Revolta Árabe contra o domínio turco, liderada pelo xeque Hussain. Em 1918, Faisal, filho de Hussain, conquista Damasco. O Reino Unido, traindo a promessa de independência feita aos árabes, assina um acordo secreto com a França dividindo uma vasta região do Oriente Médio.
O mandato da Síria e do Líbano é outorgado aos franceses, e Faisal, então rei da Síria, é obrigado a fugir do país. O domínio francês vai até o final da Segunda Guerra Mundial. Em 1946, por decisão da ONU, tropas francesas e inglesas abandonam a Síria e o Líbano. A Síria torna-se independente em 17 de abril daquele ano.
O primeiro governo independente sírio é deposto por um golpe militar em março de 1949. Novo golpe restabelece o regime constitucional em 1954. Cresce a partir daí a influência do Partido Baath. A Síria afasta-se politicamente dos EUA e passa a receber armas da União Soviética (Federação Russa).
Nacionalismo, estadismo, não-alinhamento (em relação aos EUA e à URSS) aproximaram a Síria do Egito durante a década de 50. Em fevereiro de 1958, um plebiscito aprovou a fusão dos dois países na República Árabe Unida, com hegemonia egípcia. O objetivo era o primeiro passo para o pan-arabismo. Logo, porém, surgem divergências e um golpe militar separa a Síria do Egito em 1961. Mas a autonomia não pôs fim imediato à instabilidade política - resultado de interesses conflitantes dos diversos grupos da sociedade local.
A forte oposição a Israel marca a política externa da Síria. Até hoje, o país reivindica a devolução das Colinas de Golã, tomadas por forças israelenses na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
O governo sírio já foi várias vezes acusado de apoiar ataques a Israel realizados por grupos extremistas baseados no Líbano. A partir de 1974, o país passou a intervir diretamente na guerra civil do Líbano com a intenção de manter os cristãos maronitas no poder. Em 1990, a Síria patrocinou um acordo de paz no país vizinho.
No âmbito doméstico, o regime vem sendo caracterizado pelo autoritarismo e pelo tratamento em estilo linha dura destinado a qualquer forma de oposição, sobretudo antes da morte do presidente Hafez al-Assad, em 2000.
Com a morte do presidente al-Assad, o governo tornou-se mais tolerante e dezenas de presos políticos foram libertados.
A liberdade de imprensa é bastante restrita pelo regime do país. A prisão de jornalistas não é incomum. Todos os veículos de comunicação pertencem ao governo, com exceção de algumas estações de rádio, que só têm autorização para transmitir músicas. Notícias consideradas embaraçosas ou que poderiam colocar em risco a segurança do país são alvo de censura. Apesar disso, os veículos de comunicação fazem críticas à corrupção e à ineficiência do estado. A Síria é atualmente governada pelo presidente Bashar al-Assad, filho de Hafez Al-Assad, e pelo primeiro-ministro Muhammad Naji al-Otari.



Contemporaneamente...
Há cerca de um ano, a Síria ocupa quase que diariamente as notícias internacionais. Desde março de 2011, a população síria sai às ruas em protestos a favor da democracia no país, que há mais de quatro décadas vive em uma ditadura militar.
O levante popular, que exige a saída do ditador Bashar al-Assad do poder, começou no sul do país, mas logo alcançou todo o território. Em junho, mais de 100 mil pessoas manifestavam em cerca de 150 cidades e vilarejos, sempre às sextas-feiras, após as orações. O movimento avançou apesar das respostas, sempre violentas, do ditador.
As manifestações na Síria fazem parte da Primavera Árabe, nome dado a onda de protestos e revoluções contra governos do mundo árabe, Oriente Medio e norte da Africa  iniciada em janeiro de 2011 e instauradas principalmente no Barein, Líbia,  Tunísia, Iêmen e Egito.
A crise na Síria começou a se encaminhar para um confronto militar, com a criação do Exército Livre da Síria (ELS), uma organização rebelde que ganhou adesão de muitos soldados desertores e da adesão voluntária de manifestantes. De lá para cá, os confrontos entre os opositores do governo e os militares se intensificou. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), pelo menos 7,5 mil pessoas morreram neste um ano de conflito.
Além das mortes, a repressão do regime de al-Assad levou ao isolamento da Síria, que hoje vive sanções econômicas dos Estados Unidos e da União Europeia – o país vende a maior parte do seu petróleo aos europeus.
Na última semana, a Síria mais uma vez ficou em evidência, por conta da visita, no último dia 10, do ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan, enviado especial da ONU e da Liga Árabe. O objetivo de Annan era tentar iniciar um diálogo entre o regime e a oposição, evitando uma possível futura intervenção militar estrangeira no país.
Antes mesmo de chegar ao local, a proposta de Annan foi rejeitada pelos opositores de al-Assad, que alegaram que o diálogo é “sem sentido”, uma vez que as tropas do governo continuam massacrando a população. Do outro lado, durante a reunião do enviado da ONU com o ditador, al-Assad disse que qualquer diálogo ou processo político não poderá ter sucesso enquanto houver grupos terroristas armados trabalhando para espalhar o caos e desestabilizar o país, uma referência direta aos opositores do governo, principalmente o ELS.
Agora sim, poderemos seguir com as atualidades desta semana!!!

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